TEXTO DE SIMONE WARKEN… (merece parabéns em pé!!!)

Eu tô tentando entender essa história do Banco Master, mas confesso que tá ficando difícil acompanhar.

Porque a cada nova informação eu penso: não, deve ter uma explicação.

Aí vem outra informação.

E eu penso: tá… deve ter uma explicação pra isso também.

Aí vem outra…

E eu já tô começando a achar que a explicação vai precisar de uma explicação…

Vamos começar pelo básico.

A mulher de um ministro tinha um contrato de 130 milhões de reais com o banco de um banqueiro que está no centro de uma investigação.

130 milhões.

3,6 milhões por mês.

Fora as regalias por fora…

Eu não sei você, mas eu gostaria muito de saber que tipo de serviço custa 3,6 milhões por mês e mais tantos outros agrados.

Porque, olha…

Eu canto, escrevo, vendo coisas (lícitas) na internet, faço vídeo, falo pelos cotovelos, tenho quase 500 mil pessoas me acompanhando nos meus perfis e, dependendo do mês, ainda tenho que fazer miojo.

Se alguém quiser me contratar por 3,6 milhões por mês, eu prometo até cantar o hino nacional na porta da empresa e depois ainda limpar o escritório.

Agora, obviamente, um contrato milionário não é crime só porque é milionário.

Pode existir um serviço perfeitamente legítimo.

Então é simples:

Qual era o serviço?

O que foi entregue?

Por que custava isso?

Por que esse banco precisava desse serviço?

Está tudo documentado?

Ótimo.

Mostra.

Explica.

A gente entende e segue a vida.

Só que aí aparecem as conversas.

E entre tantas coisas esquisitas, uma particularmente chamou atenção:

“Conseguiu bloquear?”

E eu pensei:

Gente, calma.

Talvez estejamos cometendo uma injustiça aqui.

Eu tenho uma teoria.

Talvez o Alexandre de Moraes fosse simplesmente péssimo no vôlei, e ele queria muito praticar esse esporte!

Mas péssimo mesmo.

O saque até que ia.

Na defesa, dava pra levar.

Mas o bloqueio…

O bloqueio estava uma vergonha.

Aí ele conheceu o Vorcaro, que, como todo mundo sabe, aparentemente conhece gente pra absolutamente tudo.

Pense num cara bem relacionado, que conhece um monte de gente!

E aí ele perguntou:

“Vorcaro, você conhece uma boa escola de vôlei?”

“Conheço.”

“Preciso aprender a bloquear.”

E foram algumas aulas.

Uma semana depois:

“Conseguiu bloquear?”

Pronto.

Era isso.

Vôlei.

Eu não sei por que tanta gente tá procurando pelo em ovo.

Ou, no caso…

Cabelo em careca.

Não criem teorias!

Era uma conversa sobre vôlei!

Inclusive, agora tudo faz sentido.

“Conseguiu bloquear?”

“Consegui.”

“Ótimo.”

“Depois te mando a mensalidade da escolinha.”

Fim.

PS: Isso é uma ironia, pelo amor de Deus…

Só existe um pequeno problema nessa minha teoria:

Não dá pra acreditar nela.

Mas ainda é uma explicação.

Só que o Supremo Master acha que não deve explicações a ninguém. Nem uma bem esfarrapada.

E quem ousa exigir uma, é capaz de ter a visita da PF às 6h da manhã, por estar atentando contra a DEMOcracia.

Porque quando aparecem contratos de 130 milhões, milhões por mês, relações entre pessoas que estão no centro de uma investigação, mensagens que precisam ser interpretadas e autoridades que podem ter interesse direto ou indireto nos desdobramentos do caso…

Não adianta olhar para o cidadão e dizer:

“Relaxa. Não tem nada pra ver aqui.”

Tem, sim.

Tem muita coisa pra ver.

E eu não estou dizendo que alguém é culpado.

Eu não estou condenando ninguém.

Eu não tenho processo, não tenho inquérito, não tenho toga e, principalmente, não tenho 130 milhões pra pagar advogado, nem pra comprar um ministro.

Eu estou fazendo o que qualquer cidadão deveria poder fazer numa democracia:

PERGUNTAR.

E tem uma coisa que eu acho curiosíssima.

Quando o cidadão comum pergunta demais, dizem que ele está espalhando fake news.

Quando alguém questiona uma autoridade, dizem que está atacando a democracia.

Quando aparece alguma coisa estranha, dizem que é narrativa.

Gente…

Se está tudo certo, explicar deveria ser a parte mais fácil.

É só explicar.

Porque democracia não é um lugar onde autoridades são protegidas das perguntas.

É justamente o contrário.

Quanto maior o poder de uma pessoa, maior deveria ser a obrigação dela de prestar contas.

E eu espero sinceramente que exista uma explicação absolutamente normal pra tudo isso.

Espero mesmo.

Porque, se existir, ótimo.

A gente dá risada da nossa própria desconfiança, guarda o assunto e vai tomar um café.

Mas enquanto a explicação não aparece, eu vou continuar perguntando.

Porque eu posso até aceitar que me expliquem que aquele “conseguiu bloquear?” era sobre vôlei.

Mas aí alguém vai precisar me explicar por que o vôlei custa 3,6 milhões por mês.

E, dependendo da resposta…

Eu também quero matrícula nessa escolinha.

Porque saber bloquear, deve ser realmente um negócio muito, muito lucrativo.

(Simone Warken)

Adendo meu: Simone, virei sua fã de carteirinha… admiro, respeito, recomendo… Parabéns pela visão excelente!!! agora entendi. Fiquei com “pena” e “compaixão” da turba partcipante, inclusive os “cúmplices” que apoiam toda esta canalhice com o Brasil e o povo brasileiro!!!