A indecência do indecente

A indecência do indecente, Henrique Ferreira Garcia.

Lula me dá asco.

Lula é para mim a representação da soma dos piores defeitos humanos, materializado nessa figura torpe que mente com tamanha perfeição que consegue convencer mentes aparentemente normais a respeito da sua história. criando “narrativas”, uma das palavras que mais utiliza para admitir como bom sem vergonha que é que se utiliza de todos os meios, todas as artimanhas do cérebro “tinhoso”, como ele mesmo se vê, para criar ilusões e ficar bem na fita na construção da imagem que o acompanha, fazendo do limão uma limonada.

Impressiona a história que conta a respeito da mãe, em torno da qual criou uma aura como se a pobre mulher fosse alguma espécie de santa guerreira atravessando as estradas brasileiras, distribuindo sabedoria ao seu amado filho predestinado envolto nas asas do destino.

Quanta criatividade, penso eu!

Não se cansa de endeusar essa mãe de maneira tal que qualquer profissional de saúde mental mediano poderia perfeitamente traduzir em diagnóstico de defesa mental, qual seja, abandonado pelo pai que conheceu somente aos cinco anos de idade, pai esse que se bandeou para o Guarujá, em São Paulo, levando consigo a prima de Lindu, com quem teve mais 12 filhos, o que lhe restava a não ser dedicar cada dia de sua vida nesse rosário criativo de invencionices do seu ego megalomaníaco imposto pela extrema carência de tudo?

Poderia ter sido grande, compassivo, sábio, tendo a infância que teve, de menino pobre, com pai violento, ausente e alcóolatra, enterrado como indigente, e mãe analfabeta com sua penca de filhos e parcos recursos de toda ordem e, ainda assim, ter chegado ao posto máximo da República brasileira.

Mas escolheu ser o que é:

Um corrupto vaidoso, mitômano e megalomaníaco, aliado desde sempre dos poderosos, que atrapalha o desenvolvimento do país mantendo milhões na dependência do Estado, impedindo que sejam livres, autônomos, progredindo em suas vidas graças aos seus próprios esforços, interessado mais que está no voto de cabresto dos programas sociais, onde se entra para nunca mais sair, do que na libertação dessa multidão de brasileiros, enredados numa ideologia que prefere que continuem eternos escravos para que ele mesmo possa se eternizar na figura farsesca de pai dos pobres, em promessas vãs que se repetem – mas não se cumprem -por décadas em discursos irados onde coloca brasileiro contra brasileiro, afirmando que o problema do Brasil são os ricos, nomeando o agronegócio como fascista, depreciando a classe média que leva o país nas costas, que para ele é “burguesia ignorante”.

Mas vamos ao desfile.

Para início de conversa, nem deveria ter acontecido por se tratar de ano eleitoral em que o enaltecido é o presidente em exercício com intenção declarada de concorrer à reeleição em Outubro do presente ano.

Entre as verbas públicas recebidas pela escola, houve a concessão de um milhão de reais através da Embratur, órgão federal, ou seja, concedido por ele próprio.

Lula sabia muito bem o que seria mostrado no tal desfile horrendo que deixou perplexo mais que um brasileiro, mas autorizou, concordou; sabia muito bem dos riscos que corria por conta do ano eleitoral, tendo sido avisado pelo TSE e por aliados que o aconselharam a não participar diante do perigo de sançâo à sua candidatura à presidência da República.

Ainda assim, o desfile aconteceu.

E o que aconteceu, ou melhor, o que deveria ter acontecido seria um desfile onde a biografia de Lula fosse a protagonista na Avenida, onde as obras do seu legado político fossem mostradas com orgullho, mas o que realmente aconteceu foi uma sucessão de arbitrariedades, temas políticos, ataques pessoais, ofensas religiosas, propaganda eleitoral desavergonhada, com passistas, cantores e figurantes da escola fazendo o L, cantando o olé, olê, olê, olá, Lulá Lulá, simbolos explícitos da campanha eleitoral do petista, e com o número 13 sendo cantando através da avenida, enfiado no samba-enredo da escola de samba de Niterói.

E ele lá, o nosso rei-sol do agreste, em seu palanque político gratuito de mais de 80 minutos, parecendo pouco se importar com as consequências desse verdadeiro crime eleitoral, talvez convicto que com Alexandre a tiracolo, o Brasil lhe pertence.

Alexandre, aliás, que teve papel de destaque no desfile enfiando um palhaço Bozo dentro das grades de uma cadeia, personagem que também apareceu em tamanho colossal sentado atrás das grades e com tornozeleira fixada no tornozelo, e mais uma vez em teatrinho de quinta onde Bozo novamente aparece na companhia de Dilma, Temer e Lula, com esse último retirando a faixa presidencial de Bozo, que é preso, e Lula condecorado e subindo a rampa do Palácio do Planalto.

Bolsonaro, esse que ele sabe como ninguém que é o seu oposto, contra o qual nunca se provou um único caso de corrupção, mas jaz preso em cela de cadeia por vingança e obsessão pessoal por parte do ilustre homenageado – e disso a História dará conta, ainda que seja necessário esperar um bom espaço de tempo para que aconteça – ocupou boa parte do desfile, e até poderíamos dizer que quase suplantou o próprio homenageado, já que a ele foi também destinado, como mais um ataque pessoal, uma ala em que os conservadores são retratados em latas de conserva que trazem no seu lado externo a figura da família tradicional, com pai, mãe e filhos felizes, família essa que ao homenageado da festa não foi concedida, e talvez daí , quem sabe, venha a sua carga de ressentimento, de amargor, de ira contida, contra aqueles que receberam atenção e afeto real por parte daqueles que os trouxeram ao mundo e a quem ele denomina de burguesia ignorante.

Ignorante nós sabemos muito bem quem é.

Lula, ladrão, seu lugar é na prisão, entoava boa parte do público pagante na Avenida.

Quem sou eu para desdizê-los?